Não podemos ignorar que os prazeres que envolvem mais que tudo a vaidade são os mais efêmeros, isto é, nos satisfazem por pouco tempo e logo pedem outra “dose”, de conquista, de aquisição ou de sucesso. Os que se envaidecem por causa do sucesso financeiro nunca se sentem satisfeitos, sempre se comparam aos que têm mais que eles, e vão em busca de mais dinheiro. Nada os satisfaz pois logo se busca outro sonho de consumo ou outra soma de dinheiro, ou mais dinheiro para conquistar o novo sonho de consumo.
Não acredito que seja o caso de nos colocarmos contra a busca de sucesso ou de conquistas, até mesmo porque o ser humano tem necessidade dessas propriedades para sua própria evolução, mas precisamos ficar atentos para que nossos projetos de vida e nossas decisões não sejam guiadas exclusivamente por ela, a maldita vaidade!
Além disso, precisamos compreender que um pouco de vaidade pode agregar certa graça ao cotidiano, mas não deve ser, em hipótese alguma, a essência de nossas aspirações.
A cultura contemporânea, que prega a reverência à vaidade, o reinado do desejo instantaneamente saciado, está intimamente vinculado às maiores mazelas do nosso tempo: esvaziamento das amizades, liquefação das relações amorosas – o que Bauman descreve maravilhosamente bem em seus livros Vida Líquida e Amor Líquido – competição e rivalidades desmedidas, aumento da violência e da desigualdade social e total descuido ao que possa ser o futuro do planeta.
Reconhecer a presença de todos os tipos de desejos e emoções em nós não implica nos tornarmos escravos delas; pelo contrário, somos dotados de consciência capaz de produzir pensamentos e ações morais e éticas, que, por sua vez, constituirão atitudes morais e éticas, com mais empatia, solidariedade e cuidado.
Isso sim é algo para nos orgulhar e por que não, sentirmos a bendita vaidade de SER e não ter.
EDMÉIA MARIANI é Especialista em Psicologia Junguiana e Arteterapeuta.